Festa Junina – Amendoim

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Festa junina com muito 
pé-de-moleque, amendoim doce e paçoquinha!

O amendoim, utilizado principalmente como matéria-prima na indústria de produtos alimentícios, também é habitualmente consumido in natura. A expectativa da safra 2020 é ser recorde (MASSAFERA, 2020).

Tradicional nas festas juninas, nas deliciosas receitas de doces, o amendoim é uma das principais fontes de proteína vegetal (SILVEIRA et al., 2011). De origem sul-americana, é uma leguminosa do gênero Arachis (ARRIEL, 2014). O amendoim cultivado (A. hypogaea) tem longo histórico no desenvolvimento da agricultura familiar. As vagens desenvolvem-se abaixo da superfície do solo.

Diversas aplicações se destacam no Setor Agro, pois a planta do amendoim é excelente fixadora de nitrogênio para o solo. O amendoim tem a capacidade de efetuar simbiose com microrganismos, provocando aumento da fertilidade do solo. O nitrogênio fixado é futuramente absorvido pelas culturas subseqüentes.

Assim, o cultivo do amendoim também é aproveitado para:

  • Cultura de rotação nas áreas de reforma de canavial (MASSAFERA, 2020);
  • Manejo por pequenos produtores, em consórcio com algodão, mandioca, mamona e gramíneas (milho, sorgo, etc.) (de MACÊDO BELTRÃO, 2010);
  • Sistemas integrados de fruticultura com abelhas (GOMES et al., 2019).

Em alguns solos, o efeito decorre naturalmente. Porém, visto que nem todos os solos têm a quantidade de rizóbios nativos suficientes para estabelecer o sucesso do potencial produtivo desta leguminosa, é importante avaliar o benefício do uso de inoculantes para resultar em ganhos de produtividade.

A estirpe recomendada para o amendoim (A. hypogaea), segundo Instrução Normativa Nº 13, de 24 de março de 2011 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) é a Bradyrhizobium spp. BR 1405 (SEMIA 6144). Para fixação biológica de nitrogênio com alta eficiência, ela é comercialmente formulada como NODUNUT L.

Nos casos em que é recomendado usar inoculantes para resultar em benefícios, inclusive indiretamente aos cultivos de rotação ou consorciados, é importante verificar a necessidade prévia do uso de fertilizantes, aditivos e corretivos (NODUSOJA). Se possível, através da avaliação dos resultados de amostragem do solo.

A adubação nitrogenada deve ser associada aos indicadores do nível de nitrogênio no solo. Isso determinará a diversidade e densidade de organismos fixadores de nitrogênio, os quais iniciam o processo de simbiose entre leguminosa e bactérias.

Comentário do arraia:

“Com esse solo bão, vamo comê MINDUIM de montão!”

Abraço ao pessoal de Jaboticabal! Capital do Amendoim.

25/06/2020

Autor: Ricardo Fendrich – Dr. e Eng. de Bioprocessos e Biotecnologista.

 

Referências

ARRIEL, NHC. Oleaginosas, Fibrosas e Leguminosas. In: AZEVEDO, V. C. R.; BUSTAMANTE, P. G. Recursos genéticos de plantas conservados na Embrapa: histórico e inventário atualizado. Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia: Brasília, DF, 2014. 183

BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Instrução Normativa Nº 13, de 24 de março de 2011.

GOMES, CB, et al. “Emprego de leguminosas no manejo de fitonematoides em espécies frutíferas.” Embrapa Clima Temperado-Capítulo em livro técnico (INFOTECA-E) (2019).

de MACÊDO BELTRÃO, NAPOLEÃO ESBERARD, et al. “Consórcio mamona e amendoim: opção para a agricultura familiar.” Revista Verde de Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável 5.4 (2010): 35.

MASSAFERA, R. (COPLANA).  Amendoim brasileiro pode ter safra recorde este ano. Biodieselbr, 2020. Disponível em:  <https://www.biodieselbr.com/noticias/materia-prima/outras/amendoim-brasileiro-pode-ter-safra-recorde-este-ano-160320>. Acesso em: 20 de jun. de 2020.

SILVEIRA, PS da, et al. “Teor de proteínas e óleo de amendoim em diferentes épocas de semeadura e densidade de plantas.” Revista da FZVA 18.1 (2011): 34-45.

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